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A iniciação científica (IC) deve ser
concebida como instrumento que permite o acesso de estudantes da
graduação na pesquisa científica. Os programas de IC colocam o aluno
desde cedo em contato direto com a atividade científica, propiciando seu
engajamento na produção do conhecimento. A iniciação científica
define-se, portanto, como um instrumento de formação de recursos humanos
qualificados. É na graduação que o iniciante na investigação científica
deve dar seus primeiros passos rumo à formação de pesquisador,
participando de forma ativa em projetos de pesquisa com qualidade
acadêmica, mérito científico e orientação adequada, individual e
continuada. Ao participar de um projeto de investigação científica, o
discente passa a entender como se faz ciência no mundo real. Assim, se
desmistifica a visão do cientista como um ser diferenciado e o estudante
passam a entender que o avanço científico ocorre, em grande parte, a
partir de uma série de pequenos passos, da aplicação da inteligência e
do esforço para a solução de problemas reais.
Enquanto objetivos da Iniciação
Científica, citam-se: introduzir e/ou disseminar a pesquisa na
graduação; despertar vocação para a ciência; incentivar talentos
potenciais no ensino de graduação; contribuir para a formação de
recursos humanos para a pesquisa; proporcionar a iniciação nos métodos
científicos, nas técnicas inerentes a cada área do conhecimento; aguçar o
desenvolvimento da criatividade na ciência, mediante orientação de
pesquisador qualificado; possibilitar a redução do tempo médio de
titulação de mestres e doutores. A IC, além dos objetivos elencados,
garante visão de mundo mais ampla ao estudante, incentiva o alunado a
participar de eventos técnico-científicos sobre sua área de estudos,
melhora a concentração e a organização nos estudos; ensina, na prática, o
estudante a lidar com imprevistos; propicia maior troca de informações
entre aluno e professor. Portanto, ao inclinar-se à iniciação científica
o estudante estará dando um passo à frente rumo à sua organização
pessoal, visão de mundo e, certamente, quando egresso, será disputado
pelas organizações privadas, institutos de pesquisa, agências de
inovação ou estará plenamente preparado para ingressar na academia,
agora como pesquisador, fazendo parte do quadro funcional. É fácil
distinguir, em sala de aula, um professor não está produzindo
cientificamente de um professor-pesquisador. Este, com maestria, confere
ao estudante uma formação diferenciada, principalmente na condução do
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), seja uma monografia ou um artigo
técnico científico, por exemplo. De acordo com Beirão (2010): “O
desafio da universidade contemporânea é formar indivíduos capazes de
buscar conhecimentos e de saber utilizá-los. Ao contrário de outrora,
quando o importante era dominar o conhecimento, hoje penso que o
importante é ‘dominar o desconhecimento’, ou seja, estando diante de um
problema para o qual ele não tem a resposta pronta, o profissional deve
saber buscar o conhecimento pertinente e, quando não disponível, saber
encontrar, ele próprio, as respostas por meio de pesquisa”. A IC
possibilita ao estudante da graduação, sob a orientação de um professor
pesquisador (doutor ou mestre), a elaborar um projeto de pesquisa
estabelecendo os pressupostos investigativos (formulação do problema ou
questões norteadoras e objetivos), bem detalhando o percurso
metodológico, a fim elucidar um fenômeno, fato ou ocorrência. Enfim, o
aluno aprende a lidar com o desconhecido e a encontrar novos
conhecimentos. Cabe ressaltar que o estudante da graduação que
participa de IC estará muito mais apto a ingressar em um programa de
pós-graduação stricto sensu. Aquele que conseguem passar da graduação
para o doutorado, normalmente teve ingresso em programa de iniciação
científica. Registre-se que o apoio a programas de iniciação
científica no Brasil, por meio de concessão de bolsa, teve expressivo
incremento nos anos 2000. Além dos programas estatais (federal e
estadual), acresce-se o incentivo a esta estratégia (IC), mediante
recursos próprios de algumas Universidades. Ante o exposto, espera-se
que a procura por programas de IC cresça a cada período letivo,
resultando, consequentemente, na ampliação de fontes para futuras
pesquisas e motivação ingressantes em programas de pós-graduação stricto
sensu. Referências: BEIRÃO, Paulo Sérgio Lacerda. A importância
da iniciação científica para o aluno da graduação. Disponível em: .
Acesso em: 1º maio 2011. SANTOS, Luiz Carlos dos. Tópicos sobre Educação, Metodologia da Pesquisa Científica [...]. Salvador: Quarteto, 2007.
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